Helena Arcoverde

Cerceamento

Posted in Opinião by helenarcoverde on 26/07/2009

A gente conhece a história de um país pelas marcas que ficam em seu povo.  A avidez com que se quer exercer controle sobre o espaço virtual é apenas um reflexo do quanto determinados países estão acostumados a regular, tudo sob a égide dos bons propósitos.

Morte

Posted in Poesia by helenarcoverde on 25/07/2009

Morte

cartada definitiva da solidão

a roupa nova perdeu o sentido.

Amarras

Posted in Poesia by helenarcoverde on 25/07/2009

Cidadã indefinida

feita de amarras e pontas perdidas

te jogo um beijo certeiro

te encontro ao pôr-d0-sol.

Pedro Nava e o tempo perdido em Balão Cativo

Posted in Artigos by helenarcoverde on 23/07/2009

Resumo 

Este trabalho aborda aspectos relevantes da obra Balão cativo de Pedro Nava e sua inserção na modalidade memórias, à luz das concepções de Maurice Halbwachs sobre memória coletiva. A história vivida, a morte e a solidão como temas, e a mordacidade do estilo evidenciam o tratamento dado pelo autor à reconstrução do passado, deformado pelo tempo, pelo subjetivo, pelas várias visões e parâmetros a que são submetidos tanto o escritor memorialista como suas fontes. Apesar desses confrontos e deformações, Balão cativo devolve ao leitor a tradição e os costumes da época em que o menino Nava viveu, as escolhas feitas em seu nome e o seu inconformismo diante do que não pode mudar no passado.

 Abstract

This paper examines relevant issues in Pedro Nava’s memoirs Balão cativo that make it an example of the genre, using as support Maurice Halbwach’s conceptions of collective memory. The narrative as lived history, loneliness and death as the primary themes, and the acerbity of the style put into relief the approach used by the author in his reconstruction of the past, although transformed by the time elapsed, by subjective considerations, and by all the different views and values to which both the writer of memoirs and his sources are subject. In spite of confrontations and changes, Balão cativo leads the reader back to the traditions and uses at the time of Nava’s childhood, the choices that were made for him, and his disgust at what cannot be changed in the past.

  Introdução

 “Para quem escreve memórias, onde acaba a lembrança, onde começa a ficção. Talvez sejam inseparáveis… Só há dignidade na recriação. O resto é relatório.” (NAVA, 2000, p. 288)

 Um menino que não quis crescer antes de ser feliz. Essa parece ser uma das tônicas de Balão Cativo, um grito em busca de um passado perdido. Uma revolta contida e acalmada pelo tempo. Onde começa a ficção, onde terminam as memórias? Que tênue limite impõe a realidade nesse vaivém de relatos de uma vida inteira? Que entrelaçamentos se impõem entre o subjetivo relatado por Nava e os confrontos e memórias do coletivo? Que Nava emergiu em meio a uma infância quase pedida? Que Nava ressurgiu desses escombros? A solidão do menino ficou no homem. Balão Cativo é esse grito de inconformismo que o tempo amainou, mas não destruiu. É o ressuscitar de vultos eternizados por Nava, alçados a um patamar onde a morte não alcança. Com eles, Nava sobrevive, não graças ao seu passado, mas ao tratamento artístico e literário dado às suas memórias, à avidez com que vivifica uma plêiade de cenários e vultos deixados para trás pelo tempo. Nava os trouxe à vida, resgatou-os, alçando-os ao mundo literário, de onde, pelo valor literário de sua obra, permanecerão vivos também na memória de outros.

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 Descrição minuciosa, veia histórica precisa, ironia, obsessão pela morte. Estes são alguns dos aspectos marcantes em Balão Cativo. Com uma linguagem irônica, que incita à reflexão, por meio dos relatos construídos, o autor  faz um apanhado do comportamento da sociedade de seu tempo, fomentando a análise das relações interpessoais, familiares e sociais. Nava e suas memórias remetem o leitor a um passeio pelo seu tempo e uma crítica contundente a várias questões, entre elas, as sociais. Enfim, prende o leitor pela irreverência e crueza com que expõe o contexto em que viveu.

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 Considerações finais

Balão cativo encerra memórias contundentes, fortes, marcadas por uma linguagem irônica e, às vezes, melancólica, solitária. Nava reconstrói suas memórias com uma forte dose de amargura. A herança, as joias não ganhas pela mãe com a desculpa da viuvez, a injustiça a que eram submetidas as agregadas da fazenda, são algumas das passagens que deixam antever a solidão do menino Nava que não podia alterar a ordem dos acontecimentos.Nessa caminhada, a pequenez de relatos particulares transforma-se em grandiosidade que incita ao repensar sobre sentimentos inerentes aos homens no decorrer dos tempos.

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Helena Arcoverde

A educação e o faz de conta

Posted in Opinião by helenarcoverde on 23/07/2009

Verbas milionárias são gastas no planejamento e desenvolvimento de projetos educacionais que não encontram terreno fértil. A mudança em um país acostumado ao “faz de conta” só é possível com perseverança, comprometimento, capacidade para pôr em prática o melhor para um povo que merece o melhor. Multiplicadores interessados apenas em se engajar em mais “um bico”, em angariar diárias, coordenadores centralizadores, enfim, é longa a lista de pequenos e grandes vícios que fazem do objetivo maior: educar, mudar, socializar, apenas um sonho distante para a maioria das pessoas que nascem em famílias à margem do conhecimento, para aqueles em que a concordância verbal e nominal se constituem indicadores de sua falta de acesso ao saber,de sua procedência, a sua carteira de identidade. A fala que seduz é a fala que denuncia, que divide.