Helena Arcoverde

Amor relutante

Posted in Poesia by helenarcoverde on 21/01/2012

Helena Arcoverde

Ela ressurge no natal

No papel de bala

No dia cinza

Acionada pela saudade

Seu amor ainda reluta

E nós, ainda choramos por ela

Não mais esperamos

Estamos de novo sozinhos

Na cidade intacta

A tutoria no contexto da educação a distância […]

Posted in Artigo by helenarcoverde on 12/01/2012

Palavras-chave: Tutoria. Educação à distância. Metodologia. Serviços Públicos.

Resumo

[…]

Introdução

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A educação, principalmente a partir da Revolução Tecnológica, manteve-se atenta a essa sequência ininterrupta da aplicação da ciência aproximando-se das ferramentas e aparatos sem os quais não poderia, por exemplo, atender, em termos de formação, a milhares de alunos de uma só vez. A educação à distância, mesmo diante da necessidade de constante reavaliação de suas práticas e do afastamento de outras que a enxergam como a resolução de todos os problemas da educação, possui um papel socializador, já que tem como público em potencial alunos com mais idade, menor poder aquisitivo, moradores de localidades em que a oferta de cursos regulares é menor.

Para alguns estudiosos, a tecnologia é simplesmente um recurso, já para Belloni (2001, p. 17)  […] as tecnologias são mais do que meras ferramentas a serviço do ser humano. Ao interferir nos modos de perceber o mundo, de se expressar sobre ele e de transformá-lo, estas técnicas modificam o próprio ser humano em direções desconhecidas e talvez perigosas para a humanidade.

Para Bohadana e Do Valle, o grau de amadurecimento das potencialidades expressivas e reflexivas da língua, a formação dos professores  e o treinamento no uso dos equipamentos e recursos da informática são algumas das questões que merecem reflexão e que estão brigadas sob a égide do “quem”. (BOHADANA; DO VALLE, 2009, p.553).

Para essas autoras é possível que a reedição da velha crença moderna na certa capacidade de autonomização da tecnologia tenha sido uma condição senão necessária ao menos retoricamente conveniente para firmar a ideia de que a reintrodução da EAD deveria ser imediata, intensiva e abrangentemente possível.  (BOHADANA 2009, p.554; DO VALLE, 2009, p.554).

[…]

A educação a distância pode não estar dentro dos parâmetros desejáveis de qualidade, mas a presencial por acaso estaria? É evidente que  um erro não justifica o outro, mas “demonizar” essa modalidade atribuindo-lhe ser apenas instrução, sem o rigor, amplitude e complexidade de outras modalidades é deixar de reconhecer o óbvio: a proximidade física entre alunos e professores não é condição essencial para que haja sucesso no processo de aprendizagem. A interação hoje é fortalecida na maioria dos ambientes de aprendizagem a distância, o que nem sempre acontece em outras modalidade. Se há ofertas de cursos calcados na fragmentação e má qualidade, essa é uma questão  que envolve parte da educação brasileira, já reconhecida por meio de diversas pesquisas e indicadores como a evasão, a repetência, a má formação. A acusação e o “endiabramento” do uso da tecnologia na educação certamente não favorecerão em nada a busca de melhores estratégias de aprendizagem. É provável, e isto não é do alcance deste artigo, que muitos programas desenvolvidos a distância forneçam ao aluno mais apoio, em termos qualitativos, do que outros presenciais, já que os primeiros se munem de ferramentas que geralmente os últimos ignoram: fóruns permanentes, materiais didáticos diversificados e elaborados para ir além do que normalmente se proporiam. Nas discussões, há presença de alunos, professores e de outros profissionais ligados à instituição que tomam decisões com base, também, nessas discussões. A tendência é de que o “cuidado” seja maior.

A educação à distância, pela faixa etária e social  atingida e baixo custo dos cursos oferecidos pela rede privada, possui um papel socializador dos mais significativos. Quem trabalha com essa modalidade sabe que é comum depoimentos emocionados de alunos que se consideravam sem nenhuma possibilidade de reingressar em cursos regulares. Com o fim da terminalidade dos ciclos escolares esse alijamento tornava-se ainda mais perverso.  […]

A propalada desigualdade acentuada pela tecnologia  ainda precisa ser comprovada efetivamente. O contrário também. Porém, a favor desta última possibilidade existem alguns fatores: crescente queda no preço dos produtos tecnológicos, financiamentos e programas de apoio à aquisição de produtos como computadores. O  celular com seus acessórios é um exemplo e, para conferir, basta andar na rua ou, simplesmente, usar um coletivo. E a história “sabe” que foi assim com outros produtos, inclusive com o aparelho de televisão.

Não cabe a quem vive na sociedade contemporânea “quebrar” máquinas, [..] mas sim usá-las em benefício da aquisição e produção de conhecimentos, dos benefícios trazidos para a medicina e tantos outros campos. Posicionar-se contra uma possível invasão da tecnologia é dizer sim ao isolamento, é negar o próprio modo de vida atual, de trabalho e estudo, é negar a ciência. Isso não implica negar a discussão. Nem o refazer de práticas. Mas assumir o inegável: a tecnologia é realidade e a educação já sabe disso, mesmo que essa certeza não tenha apresentado a rapidez dos avanços.

[…]

O mundo virtual, no qual atuam os tutores, se não é um espaço calcado na presença física, poderá ser o da construção em que o particular e o coletivo se unem para formar a crença de que, mesmo diante da incredulidade e do “endiabramento” que alguns querem atribuir à tecnologia, é possível se criar mais um espaço: aquele em que o diálogo é maior do que o silêncio. E é exatamente esta a marca desse novo espaço – a do diálogo. E este poderá, sim, se contrapor ao silêncio a que foi submetido todo um povo durante séculos. Não se trata de nomear salvadores, nem heróis. Assim, a EaD é o transitar entre o previsível e os desafios; entre a conquista e a controvérsia; entre o crescimento e a reflexão. E, nesse espaço, o professor-tutor terá que contribuir, como os demais atores, para interligar “os fios soltos”, restaurar a confiança, refazer os laços entre o aluno e o conhecimento, reafirmar as certezas perdidas.

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O professor-tutor e a autonomia que gera saber

A autonomia, tanto para o aluno quanto para a atividade de tutoria, é fundamental. O planejamento e o monitoramento das facetas, nuances e resultados desse processo educacional são imprescindíveis, mas este não poderá obter bons resultados se a autonomia não marcar a relação entre as atividades de tutoria e os alunos. Esse é o espaço do resgate, do diálogo, da construção de pontos de vista, da subjetividade, das falas guardadas durante o tempo de exclusão da escola, do que pode ser refeito. É um processo único, embora com as necessárias sistematizações comuns a qualquer processo educacional. O professor-tutor fornece a resposta em menos tempo, percorre os limites entre o que é adequado e o convencimento, contribui para reposicionar o conhecimento no lugar acessível aos alunos. A distância passa a ser uma merca característica, não incomum, nas ordens de hoje. Essa função, menos burocratizante e mais docente e mediadora, possui, ao mesmo tempo, esse viés que liga, ajusta, apoia, sem, no entanto, cercear essa busca pelo saber.

[…]

A tutoria, o material didático e o diálogo

A proximidade do tutor com o aluno fornece ao primeiro uma visão privilegiada dos anseios, posicionamentos e necessidades da comunidade discente. Sob essa ótica, o trabalho do professor-tutor é importante para avaliar, de forma crítica e reflexiva, os materiais didáticos disponibilizados aos alunos. […] A programação visual, uso de ilustrações, quadrinhos, leitura agradável são algumas das estratégias normalmente usadas para construir materiais didáticos em cursos a distância.  Não se pode esquecer, no entanto, que eles precisam contemplar o diálogo. Com isso, o aluno percebe, nessa interação com esses materiais, que é o interlocutor do autor; que é para ele que as atenções se voltam, para suas respostas, para o seu entendimento diante de um livro ou de uma aula, para a sua compreensão da mensagem. E, nesse meio tempo, o aluno também ensaiará respostas, foi desafiado a interagir, a incluir-se naquela produção que poderá resultar em um processo que não emana somente do autor, mas integra e pertence a todos que nele atuam. Para Bakhtin,  A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas linguísticas nem pela enunciação monológica  isolada, nem pelo ato fisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua. (BAKHTIN, 2004, p. 123). Além disso, os textos também precisam “conversar”, possibilitar ao aluno aumentar as extrapolações, as relações entre um texto e um filme, entre dois ou mais textos, entre o trabalho desenvolvido no curso e a realidade que o  cerca.[…] Com isso, todos os docentes envolvidos, incluindo o professor-tutor, poderão  usar de sua autonomia e bom senso para fomentar essas percepções, esses entrecruzamentos, para compor a rede de diálogo que incita o conhecimento, que amplia e integra, sem tolher, nem impedir que nesse transitar entre o coletivo, o institucional e o subjetivo nenhum seja diminuto, mas todas essas instância se comprometam, antes de tudo, a eleger o aprendizado e sucesso escolar do aluno a distância como o foco principal de seus trabalhos.

Considerações finais

A tecnologia e, principalmente, o avanço dos meios da comunicação, minimizaram as fronteiras geográficas, alterando a forma de viver, de interagir e de educar. A educação, mesmo no âmbito presencial, desenvolve-se cada vez mais com o uso da tecnologia que se moderniza continuamente. A educação a distância é parte desse contexto fortemente influenciado pela tecnologia. Apesar do entusiasmo de muitos com relação a essa modalidade, faz-se importante a reflexão em torno das práticas que a envolvem. Estigmatizá-la, tampouco negar o seu viés socializador, retrocederão o seu crescimento. Repensar práticas não é papel somente dos cursos a distância, mas de todos os outros âmbitos. Sem isso, não há reflexão e nem crítica, processos imprescindíveis a uma formação consistente.

[…]

Os desafios desse trabalho são contínuos em especial no que tange ao desenvolvimento de uma metodologia apropriada às necessidades que surgem no decorrer do processo de aprendizagem e que, em muitos casos, fogem do previsto. […] Sem pressupostos definitivos, a EaD poderá ampliar seus mecanismos de se autoavaliar e, assim, fomentar um alcance qualitativo desejável e necessário.

 

REFERÊNCIAS

BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia de linguagem. São Paulo: Hucitec, 2004.

BEHRENS, Marilda Aparecida. Projetos de aprendizagem colaborativa num paradigma

emergente. In: MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas Tecnologias e

Mediação Pedagógica. Campinas: Papirus, 2000.

BELLONI, Maria Luiza. O que é mídia-educação. Campinas: Autores Associados, 2001.

BELLONI, Maria Luiza.  Educação à distância mais aprendizagem aberta: reflexões sobre

a educação do futuro. Tese de pós-doutorado, 1998.

BOHADANA, Estrella; DO VALLE, Lílian. O quem da educação a distância. In  Revista

Brasileira de Educação, volume 4, número 42. Universidade Estácio de Sá, 2009.

GUTIERREZ, Francisco.  A mediação pedagógica: educação à distância alternativa.

Campinas: Papirus, 1994.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro Editora, 2006.

 

Comunicação apresentada no X Congresso Nacional de Educação – EDUCERE – PUC/PR. Autoria Helena Arcoverde; c0-autoria Márcia Denise Carlini. Eixo temático: comunicação e tecnologia.

Posted in Poesia by helenarcoverde on 08/01/2012

Por Helena Arcoverde

Entreabri o portão

Um retângulo de vultos

Povoou meu ânimo

Esgotado de mim