Helena Arcoverde

Lembrança

Posted in Poesia by helenarcoverde on 27/04/2012

À minha amada avó, Helena

Revi teu rosto comprido

Teu olhar perdido

Nos sonhos daquele rio

Nas mágoas daqueles dias

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A boneca

Posted in Crônica by helenarcoverde on 23/04/2012

Uma tarde passeava nas imediações da minha casa com uma boneca. Não era a que eu imaginava ter, mas já me afeiçoara a ela o suficiente para me conformar com o presente. Os cabelos eram castanhos, desenhados, o que talvez fosse o motivo de minha insatisfação – a falta de cabelos. Já quase chegando a casa avistei uma menina com uma boneca quase do meu tamanho, os cabelos um pouco abaixo das orelhas, corte reto. Sem querer, baixei levemente o braço. Senti que minha boneca despencara lentamente. Passadas décadas, ainda lembro do gesto ofensivo à minha companheirinha sem cabelo. Sem me reportar a nenhuma teoria científica, isso indica, entre outras coisas, que acontecimentos aparentemente simples são impactantes na vida de uma criança, não importa quem ela seja. Por isso, o mais triste na repercussão do caso da filha do publicitário Roberto Justus é exatamente o impacto que as especulações poderão ter na vida dela. É nesses momentos que se mede a ternura ou o ódio de uma gente. A questão central não deveria ser os milhões que o pai pode ter, mas sim o fato de se tratar apenas de uma menininha de menos de três anos, atenta e faceira. Defende a elite, dirão alguns. Ouço isso a vida toda sem nunca ter tido dinheiro. Não se trata de eleger um lado, mas de dizer um não à selvageria. Mesmo que essa criança se transforme em uma legítima representante da beleza padrão, ainda assim, as publicações sempre a lembrarão que um dia negaram sua infância. Não importa quem ela seja, nesse momento ela nada mais é do que uma garotinha para quem os discursos sobre as aceitações nunca valeram. Ninguém deve ser punido pela quantidade de dinheiro, por ter muitos brinquedos, isso tudo é efêmero. Prefiro pensar que uns têm alma, outros nem tanto. Alma não tem cor, nem dinheiro, se alimenta do que nunca é visto e possui mais sapiência  do que o corpo. Eu nunca mais quis uma boneca, pois sempre lembraria daquela que, por alguns instantes, eu desprezei. Ao ler jornais de hoje senti que a menininha poderá estar, de alguma forma, tão ferida quanto minha boneca. E a gente nunca deveria feri-las, elas têm vida.

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Fotografia família década 80

Posted in Fotografia by helenarcoverde on 21/04/2012

Acervo pessoal                                                       Helena e o filho Albert.

Tudo em comunidade

Posted in Argumento by helenarcoverde on 14/04/2012

Um grupo de jovens amigos combina um encontro três décadas depois para reprogramarem suas vidas ao atingirem a meia idade. Após esse encontro, resolvem deixar suas famílias e morar em comunidade. O passado e o presente se entrecruzam evidenciando as tramas e os conflitos de cada personagem. Entre a emoção e cômico, o filme mostra as mudanças ocorridas na vida pessoal de cada um em face dessa nova vida: a influência exercida pelo coletivo na vida pessoal (família, amigos, vizinhos, reconstruções amorosas, descobertas  de amores não vividos na juventude). A interação entre os grupos familiares a que cada um pertence são também marcantes nessa nova jornada.

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Pacto

Posted in Poesia by helenarcoverde on 01/04/2012

Em pactos desfeitos

Só cabe a certeza

Do tempo perdido