Helena Arcoverde

O emprego: finitude anunciada

Posted in Crônica by helenarcoverde on 27/10/2012

Por Helena Arcoverde
Deixar sucessor, fazer escola. São termos que podem remeter à preservação do que está posto, ao não avanço, à estagnação, mas que podem significar também encurtamento de distância, interrelação de inteligências em prol de. A competitividade excessiva, o conflito de gerações e a questão da inovação posta aos extremos podem acarretar descontinuidade a processos produtivos importantes em todos os campos. Isso sem falar na famosa fogueira da vaidade que impregna hoje os mais diferentes ambientes, do científico ao do trabalho. Atualmente interagir com um profissional de mais idade pode significar retrocesso. A preferência em algumas áreas da comunicação – por exemplo- é por profissionais extremamente jovens, ter 35 anos poderá significar estar perto de findar uma carreira o que independe da capacidade do profissional. Provavelmente são alijados anualmente centenas de profissionais capacitados e alguns deles até raros para dar lugar a outros com pouco mais da metade da idade mas que dominam códigos mais atuais. Jornalistas como S. J (iniciais fictícias usadas para não expor o profissional) com aproximadamente 25 anos de trabalho e raro em termos de desempenho viu-se obrigado a pedir demissão em face do desinteresse da empresa por seu trabalho. Evidentemente não deixou nenhum sucessor a altura (no espaço em que atuava). Esse contexto não marca somente competitividade e tampouco envolve somente a questão da idade, mas aponta para um preocupante processo que poderá ser desastroso para as organizações como um todo. Outra área que apresenta bastante fragilidade é o atendimento. O acesso à internet e o uso de celulares trazem ao consumnidor um atendimento de péssima qualidade e um profissional aborrecido por ter que deixar esses equipamentos de lado e atender ao cliente. São fatores que parecem passar desapercebidos exatamente pela ausência de determinados profissionais capazes de reordenar, refazer, reconstuir, detectar falhas. Há vácuos. Há elos soltos. E estes parecem não ser observados nas organizações o que causa impacto tanto em consumidores quanto prejuizos irreparáveis, como atrasos para o país e para a formação de seus cidadãos. O tempo útil e a validade de um profissional estão cada vez mais curtos e a informalidade é aguardada já no início da profissionalização, o que afinal não é nenhuma novidade. Mas isso tudo deve ter relação coma aquilo que o país quer pra si, uma triste projeção do que se quer fomentar. E , nesse caso, a culpa é quase coletiva o que aumenta a gravidade do problema. Mas, cada país se desfaz do talento que quer e a mediocridade alardeia seus mandos empobrecendo escrituras, salas de aula e todos os âmbitos das organizações.

Fotog já postada

Posted in Fotografia by helenarcoverde on 24/10/2012

Helena na redação do Jornal da Manhã, final da década 80

Crédito Antônio Costa

Método dos textos produzidos

Posted in Sem categoria by helenarcoverde on 20/10/2012

Ao produzir algum texto busco, embora nem sempre seja possível, não podar o que escrevo. Após a escrita chego a cortar cerca de 30% do que foi feito, sintetizando sem perdas do significativo. Trabalho em cima de expressões que considero mais significativas. É um método presumo usual.  Algumas vezes inutilizo todo o texto, abandono-o por inteiro, mas isso é incomum. Nestes casos não deixo registro, mesmo que alguma parte seja aproveitável. Inúmeras vezes deixo-o intacto, embora o mais comum seja excluir trechos.Levo entre 20 a 40 m pra escrever um conto, mas posso levar mais tempo cortando ou substituindo palavras ou expressões. Demoro escrevendo poesias, gênero que tenho mais dificuldade, neste caso o tempo varia da rapidez à demora. Busco produzir tanto sob a égide da disciplina quanto da inspiração. Já para crônicas o tempo de produção é pequeno, entre 15 a 20 minutos e só as escrevo quando tenho um tema motivador. Nenhuma fugiu dessas características. Provavelmente demoraria três vezes mais se estas fossem sob encomenda. Hoje, se fizesse uma varredura no blog – existente desde 2009 –  reduziria  um terço da produção, não sei se o farei, talvez não. Com relação aos poucos artigos estes seguem as normas e o tempo de produção varia entre dois a três dias se eu já tiver o assunto fundamentado. Procuro produzir e fazer poucas citações, uma vez que considero-o uma produção minha e não de outros. Claro que nunca será exclusivamente de alguém porque sempre se assenta em pressupostos, estudos e teorias já existente seja para corroborar ou refutar o que se faz. Atualmente opto pelo ensaio ao invés de artigos (ao contrário do que previ, farei dois para um Congresso em CTBA do qual apreciei participar)- pois tenho mais liberdade . Para ensaios a meta é ser mais concisa.

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Já publicada: Azaleia

Posted in Poesia by helenarcoverde on 19/10/2012

Por Helena Arcoverde (A MSL, nosso amor eterno)

 Ela não se importa com o vento

Nem com a próxima estação

Alheia ao efêmero

Espera o contorno desbotado de si mesma

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Postada anteriormente: Por que eu amo Billie

Posted in Sem categoria by helenarcoverde on 19/10/2012

Queixosa, aconchega-se em todos os cantos; não invade, inunda; emerge a alma mesmo dos que não a possuem; lamenta em vão o concreto sobre o etéreo, a vida sobre a morte, a posse sobre o amor; exalta o não perceptível; desfaz da eternidade da fortaleza, da perpetuação da água sobre a pedra, da companhia sobre a solitude, do reducionismo da unicidade. Assim é a voz de Billie Holiday. Por isso eu amo Billie.

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