Helena Arcoverde

Contato

Posted in Contato: by helenarcoverde on 30/08/2013

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Pra inglês ver?

Posted in Crônica by helenarcoverde on 22/08/2013

Por Helena Arcoverde

A tecnologia é recurso, embora altere cenário, modo de viver, relações. Mas ao profissional não basta saber utilizar o recurso, ele tem que extrapolar, fazer ilação, abstrair o material com o qual trabalha. E é na ausência desse processo – e de outros não citados – que a mediocridade impera e remete o país a um campo mediano. E nesse bonde não entra somente a classe média, como querem. Não seria essa formação média a pretendida pelas políticas públicas do país? É evidente – e nem precisaria ser mencionado – que há profissionais distantes desse parâmetro e nisso reside outro problema do país: nele se trabalha com números ínfimos, “somente pra inglês ver”. Não há um prolongamento, um alcance efetivo, uma transformação. Muitos dos projetos/programas não passam de processos que beneficiam somente os que os planejam e ou executam e mais um pouco. O “inglês” de bobo não tem nada e ai vai mais outro dito: “a mentira tem pernas curtas”. Fazer o país sair da mediocridade só será possível quando os mandatários se preocuparem mais com os avanços (e com o alvo) e menos com a implantação da ideologia que campeiam. E isso atualmente é impossível. O Brasil quer ser a China, mas nem isso consegue. E o Aristóteles? Como assim? Cristo, esse povo quer revanche. E eu – já antevendo – saio de fininho, afinal, sabatina não é do meu tempo.

A invasão

Posted in Conto by helenarcoverde on 18/08/2013

 Por Helena Sobral Arcoverde

Correra para não perder o ônibus. Menos esbaforida, caminhou até a casa, a algumas quadras. No interior do apartamento fez um movimento para alcançar a maçaneta e fechar a porta. O olhar acompanhou, automaticamente, o processo. A poucos centímetros de atingi-la teve a impressão que a maçaneta inchara e se espichara como se tentasse diminuir a distância até sua mão. Mesmo assustada atribuiu o fato a um distúrbio da visão causado pelo cansaço. Segurou firme a maçaneta e fechou a porta. Dirigiu-se ao banheiro. Já debaixo do chuveiro, fechou os olhos e deixou que a água morna batesse em seu rosto cansado. Mais relaxada, alcançou o roupão e preferiu ir direto para a cama. Cobriu-se. Nem sequer apagara a luz. Mal dormira e o sono fora interrompido. Uma massa amorfa saia, aos borbotões, da parede em direção a sua cama. Os tufos ejetados permaneciam no ar, sem cair, e logo se juntavam a outro e, assim, todo o espaço anterior ao seu corpo fora tomado. Nem mais a porta de entrada era vista. Aterrorizada, a mulher debatia-se contra o encosto da cama, agarrada ao lençol estreitado pelo medo. A massa já cobria parte da cama, mas, ante seu corpo encolhido, deteve-se, trêmula. A trégua durou pouco. A companhia enlaçara a mulher, formando em torno dela uma espécie de bolha. O medo a fizera desfalecer. Achou-se já na rua, descalça e de roupão, cabelos úmidos em um cenário desconhecido. Experimentou alguns passos, temerosa. A cada passada os pés afundavam levemente e, logo após subirem para alcançar novamente o chão o piso já voltara ao lugar. Mesmo diante da sensação aterrorizante, ela não parou de caminhar. Tudo a sua volta era incomum. Sem árvores verdejantes, sem construções, o ar era abafado, embora não fosse quente. A vegetação era espessa, com tons marrons e avermelhados. Não avistara ninguém. Alguns bichos rastejantes caminhavam sem parecer notá-la. Poça de água coberta parcialmente por folha seca e galhos ressequidos a obrigou a estancar. Desesperada, gritou. Acordou com seu próprio grito. Olhou em volta, o coração acelerado. Depois de se certificar que estava em segurança, preferiu manter os olhos cerrados enquanto estivesse acordada. Poderia dormir com a segurança da luz do dia, afinal estava de férias e há alguns dias apenas descansava, em casa.

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Fotog década 70

Posted in Fotografia by helenarcoverde on 13/08/2013

hel sophotoHelena Arcoverde. Foto editada. Acervo pessoal.

Poeminha inacabado

Posted in Poesia by helenarcoverde on 12/08/2013

                                                            Perdão ao tempo

                                                            pela impossibilidade da volta

                                                            pelas cenas roubadas

                                                            por alargar o alcance das ruas

                                                            Perdão ao tempo

                                                            por levar o velho cinema

                                                            os sonhos do ginásio

mama e viviphoto2

Verbena Angélica, minha mãe com  Vivi, a primeira filha, em 1953.