Helena Arcoverde

Adeus, doctor

Posted in Crônica by helenarcoverde on 23/07/2016

Por Helena Arcoverde

Há pessoas que, quando desaparecem, levam parte de nossa história. Deixam os bancos das praças, as casas, as ruas, mas levam os trechos que – apesar de únicos – são de todos. Ninguém se impõe na história. Ela reconhece quem fomenta  as narrativas da cidade. Essas pessoas são um pouco guardadoras desses pedacinhos de vida ao se dispuserem a ver no outro um pouco de si. Eu poderia citar, na cidade em que nasci, Teresina, algumas delas. Aqui – rapidamente – lembro do médico Noronha Filho e do cartunista Albert Carvalho, que garantiram aos outros presença nos espaços que fomentaram culturalmente na cidade. O espaço do chamamento para a arte, do desprendimento, do fascínio em ajuntar para o fazer cultural,  sem esperar respostas relacionadas a ganhos pessoais. O médico Noronha Filho se foi para sempre da cidade pela qual tanto fez. Eu mantive com ele uma relação cordial, não próxima, embora eu tivesse frequentado algumas das festas que ele, há algumas décadas – realizava e tivesse feito parte por um curto período – já que eu não tinha disponibilidade de tempo, de sua equipe de assessoria de imprensa enquanto secretário de Estado, função que – posteriormente agradeci e me desliguei. Noronha Filho se foi, sim, e levou também um trecho de minha história. Adeus, Dr. Noronha, siga em paz e, aonde estiver, construa histórias que, não fossem pessoas como você, poderiam ter outro final.

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