Helena Arcoverde

a geleia

Posted in Crônica by helenarcoverde on 29/09/2016

Imagem e texto: helena arcoverde

geleia

Ele colocara o vidro de geleia sobre a mesa. O pink luzia. Lembrei de – quando criança – usava máscaras – no carnaval- em que a lente era de papel  celofane vermelho. Depois de enaltecidas as qualidades e origem da iguaria, eu fui a primeira a experimentar. Ora, para quem só come a parte externa do sonho de valsa e prefere os emes marrons aquela essência não era tão católica assim. Maravilhosa, arrisquei. Levemente amarga, mas isso não impede que a apreciemos. Para me vingar do olhar de escárnio de um dos filhos, eu sentenciei: agora é sua vez, filho. Foi presente de seu irmão. Relutante, ele segurou uma bolachinha e minguou sobre ela meia colher de café da famosa geleia. Que saudável… Coma mais, disse eu. E ele, não, obrigada, estou de regime. Mesmo? Começou quando? Não fosse o apego a mim eu acharia que ele me odiava. O presenteador – desconfiado com a troca de olhares, disse: vou pegar uma torrada e experimentar. Sabor inigualável. Eu disse que era boa. Se eu acreditei? certeza. Para quem – cedinho – havia tomado prazerosamente chá de gengibre, aquilo era um pavê. Não sei pra quem esse menino puxou!

 

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fuga

Posted in Poesia by helenarcoverde on 26/09/2016

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Imagem e texto by helena arcoverd

na rua, as palavras se atropelavam

queriam formar versos

eu as impedi de saltarem

fui antes ver a flor

molhada de tanto madrugar

cheguei em casa esbaforida

e as palavras se amofinaram

desfizeram as arrumações

uma a uma foram embora

e eu – sem flor nem verso –

me amuei com a traição

unidade

Posted in Poesia by helenarcoverde on 20/09/2016

Por helena arcoverde

nao quero solidão que arrebata

nem amor que se debate

tampouco bandinha dobrando a esquina

quero ficar em casa com minha alma

nas noites em que só chuvisca

temendo que o  alvorecer

importune a quietude dessa unidade

tempo expirado

Posted in Poesia by helenarcoverde on 17/09/2016

by helena arcoverde

eu queria escrever sobre o amor

mas a morte me ronda

me lembra o tempo que tive

e nao amei nadinha

eu queria escrever sobre a vida

mas nao juntei histórias

e, agora, sou obrigada a inventar

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aniversário

Posted in Poesia by helenarcoverde on 17/09/2016

 

by helena arcoverde

quero um aniversário e tanto

que me jogue no meio da rua

a banhar de roupa e tudo

nos dias torrenciais

me provoque gargalhadas

a correr desembestada

cantarolando bobagens

quero apagar somente uma vela

e ordenar ao tempo: se aquiete, seu moço

chega de fazer besteira