Helena Arcoverde

Mais de um

Posted in Frase by helenarcoverde on 31/10/2016

se Deus é brasileiro, deve haver mais de um

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Posted in Fotografia by helenarcoverde on 31/10/2016

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by helena arcoverde

Posted in Frase by helenarcoverde on 28/10/2016

No Brasil, quando uma ditadura sai, a outra entra.

Posted in Fotografia by helenarcoverde on 27/10/2016

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crédito: helena arcoverde

a cópia, a vulgarização e a negação do outro

Posted in Crônica by helenarcoverde on 13/10/2016

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Por Helena Arcoverde

A vulgarização é somente um dos problemas da cópia. Os talentosos se inspiram, não copiam. Os não talentosos – que se aventuram em copiar – vulgarizam a produção do outro, impondo-se como sujeito. A autoria -mesmo em um contexto de produção e colaboração coletiva, deve ser respeitada. Ela pode conter vaidades, ambições financeiras e de reconhecimento,  mas retrata – acima de tudo, as singularidades do sujeito-autor, a forma de se expor, de lidar com as vivências, as andanças em meio a um contexto de múltiplas ordens, a experimentação e tentativas de se manifestar artística e literariamente. Retrata os embates perante a existência, as dúvidas, os arrependimentos, as dores todas, os preenchimentos de lacunas. Ela encarna a própria vida que, apesar dos vieses coletivos, é única. Encarna a morte, o medo, a (des)crença na eternidade. Representa os vários eus que desenvolve-se ao longo da vida. A forma de ver a arte, de projetar nela a si e ao outro, o espaço e tempo. Por isso tudo, não deve ser negada. Já a cópia vulgariza, danifica, se aproveita, reduz os traços individuais, adultera. Sua essência é a negação. A internet não é responsável por esse processo pois através dos tempos essas investidas sempre ocorreram, mas ela é “uma mão na roda” para aqueles que, incapazes de se manifestar artisticamente, silenciam a voz do outro e dela se aproveitam para perpetuar a sua própria. A cópia abafa o desejo do outro para impor o seu.  Fragmenta a história contada,  negando o sujeito dessas narrativas. O novo autor – assim – é alçado a essa condição destronando, punindo o outro pela produção que não fora capaz de. O autor é abatido, destronado, perde a  identidade. Abomináveis oportunistas que, similares a todos os outros, são incapazes de armar as próprias estratégias, ficando à espreita para o bote, para consolidar o esfacelamento da história alheia. E ninguém deve se sentir privilegiado por ser a vítima nesse processo. Afinal, o papel de vítima até pode render, mas será sempre entrecruzado com o de perdedor. Se – ao argumentar tudo isso, vou em sentido contrário a Roland Barthes isso não me fará perder o sono, certamente. Nesse momento  me sinto enganada ao ser negada, roubada. Ainda preciso de minhas histórias. Perder a voz para a escrita é louvável, mas perder para um processo transgressor e vulgarizador é inaceitável. Por isso, hoje, resolvi ficar triste e guardar – para sempre – os “poeminhas” na “gaveta”.