Helena Arcoverde

natal sem mãe

Posted in Crônica by helenarcoverde on 21/11/2016

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crédito texto: Helena Arcoverde /imagem:acervo pessoal

O natal remete ao irremediável. Enquanto ele atraiçoa ao conclamar o amor, o tempo atraiçoa ao impedir a reunião de todos os que amamos. Eles jamais arrumarão novamente a árvore. Não nos levarão a ver o presépio na ruazinha vizinha. Nunca mais buscarão esconderijo para os presentes comprados antecipadamente. Não poderão nos perdoar pelos deslizes. A mãe não porá açúcar nas castanhas. O amor agora é unilateral. Amamos o que se foi. Os vultos. E a cada natal o amor se torna maior e mais longínquo. Sim, o natal é traiçoeiro. Deixa a morte levar até as mães. E natal sem mãe não é a mesma coisa. E a minha nunca mais se preocupará em comprar outra ponteira. Em renovar aos pouquinhos os enfeites que luziam como nenhum outro. E isso é um mistério. Mãe, aonde foram parar as bolas cintilantes? E o enfeite da porta que todo ano – já gasto – parecia renovado? Devolva as cocadinhas de banana, os bolos mergulhados na calda de chocolate, o merengue a emergir do caramelo . Volte só mais um natal. Não precisa comprar nada.  Só mais uma vez e prometo deixar você ir embora. O natal tem disso, obriga a gente a amar mas não devolve nada do que gostamos. Noel, estou de mal com você. Na véspera, talvez eu faça as pazes. 

Posted in Frase by helenarcoverde on 05/11/2016

A cautela – que só o tempo permite – deve estar acima do desejo.

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Posted in Fotografia by helenarcoverde on 04/11/2016

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crédito: helena arcoverde