Helena Arcoverde

NA TERRA DE SANTA CRUZ

Posted in Crônica by helenarcoverde on 23/01/2019

por Helena Sobral Arcoverde
A mulher trazia a criança- que teria , no máximo uns 3 anos, até o portão da escola. Do interior da instituição, a professora sorria e – de primeira, perguntou: – trouxe todas as tarefas? A cena não era irreal, todos a conhecem bem. Tão bem que já ouvi alguém argumentando: os pais querem que os filhos se ocupem e avancem mais rápido. Nesse contexto, não há muito o que dizer. O certo é que o palavreado “no papel” e nos sites educacionais públicos e privados (e em órgãos “reguladores”) é formoso “. Em alguns casos, “pra “inglês ver”. No entanto, estou certa de que: quando uma escola enche uma criança de jardim e primeira série de tarefas ela está negando todo processo de aprendizagem, negando o fato de que o desenvolvimento perpassa por uma série de aspectos incluindo o brincar, o convívio, o diálogo, as tentativas de relações com outras crianças e com adultos, as tentativas de diálogo, enfim. O conteúdo, com isto, torna-se a única via possível do aprender, do desenvolver, do crescer, uma via de mão única, esmagando todas as outras que fariam daquela criança um ser mais completo, mais integral, mais capaz de transformar o que está a sua volta.A culpa nem é somente do professor, mas de um contexto em que nada é mais significativo do que a quantidade (bom se transpusessem esse processo de priorização da quantidade para os ganhos na formação de preço, que tal?), do que o demonstrar, do que o imediatismo de respostas. “Bombaquim, bombaquim, deixa nóis passar…”. Normal por aqui na terra de Santa Cruz.