Helena Arcoverde

Cwb

Posted in Poesia by helenarcoverde on 15/09/2016
sol-albert
texto  helena arcoverde
imagem editada: desenho albert. Foto Helena
A rastreadora de luz acordou
foi caçar pedaços de sol
espalhados pelos bancos
retalhados pelas árvores
foi pular corda nas vilas
foi bendizer as igrejas
levar os santinhos nas casas
para pousar um pouquinho
e recolher moedinhas
a cidade dos parques acordou cinza
foi madrugar nas ruas do Largo
percorrer o acostamento
das calçadas cedidas aos jardins
foi garantir a justiça
pois sem ela só há sede
e pouco sinal de cruz
a catadora de luz foi andar na República
na direção contrária aos ônibus
como se toda via fosse parque
e Boca palanque
avante, cidade da luz
deixa passar o inverno
pra ir buscar outros sóis
nas bandas d’alguma serra
que fique perto do mar
deixando a cidade tão boazinha
que até dá gosto de andar
vou ponhar o meu sapato
dar uma de joão sem braço
e bater perna `a vontade
lá pelas ruas do centro
até dar calo nos pés
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Adeus, doctor

Posted in Crônica by helenarcoverde on 23/07/2016

Por Helena Arcoverde

Há pessoas que, quando desaparecem, levam parte de nossa história. Deixam os bancos das praças, as casas, as ruas, mas levam os trechos que – apesar de únicos – são de todos. Ninguém se impõe na história. Ela reconhece quem fomenta  as narrativas da cidade. Essas pessoas são um pouco guardadoras desses pedacinhos de vida ao se dispuserem a ver no outro um pouco de si. Eu poderia citar, na cidade em que nasci, Teresina, algumas delas. Aqui – rapidamente – lembro do médico Noronha Filho e do cartunista Albert Carvalho, que garantiram aos outros presença nos espaços que fomentaram culturalmente na cidade. O espaço do chamamento para a arte, do desprendimento, do fascínio em ajuntar para o fazer cultural,  sem esperar respostas relacionadas a ganhos pessoais. O médico Noronha Filho se foi para sempre da cidade pela qual tanto fez. Eu mantive com ele uma relação cordial, não próxima, embora eu tivesse frequentado algumas das festas que ele, há algumas décadas – realizava e tivesse feito parte por um curto período – já que eu não tinha disponibilidade de tempo, de sua equipe de assessoria de imprensa enquanto secretário de Estado, função que – posteriormente agradeci e me desliguei. Noronha Filho se foi, sim, e levou também um trecho de minha história. Adeus, Dr. Noronha, siga em paz e, aonde estiver, construa histórias que, não fossem pessoas como você, poderiam ter outro final.

Sem título

Posted in Poesia by helenarcoverde on 06/07/2015

acervo pessoal rio

Imagem com corte: acervo pessoal

Por Helena Arcoverde

A cidade silencia

Ingrata no afeto

Indiferente ao rio

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A moça da Sete

Posted in Poesia by helenarcoverde on 05/04/2013

Por HelenaArcoverde (a The)

Sou das ruas sem nome

Da cidade dos sois

Das gentes desconhecidas

Das cenas alheias

com casais enroscados nos muros

bicicletas a espera na rua detrás

das moças de outras bandas

Sou a moça da Sete

Encabulada dos que nunca vira

barulhenta entre os seus

Sou de todas as mães

Sou de todas as  igrejas

e só de uma não troco o nome

Sou da rua asfaltada  do South

Saudosa do chão batido

que a rua nunca vira

 Sou da Olavo

onde nunca pousei

Quem sabe da São Pedro

onde nunca morei

Sou  vizinha da Félix

Sou de todas as casas

entre a Sete e a Mestre

Mas também de todas as do North

Sou fuga e raro reencontro

Sou lampejo que se esvai

Sou da cidade dos sois

na qual perambulo

pelos rios sem dono

nas noites sem sono

Bem perto da Sete.

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