Helena Arcoverde

Os anjos

Posted in Poesia by helenarcoverde on 23/12/2015

anjo.editado

fotografia: helena

Por Helena Arcoverde

na solidão da morte

os anjos emergem

imunes `as luas e sóis

sob o sereno e lodo da eternidade

 

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Posted in Poesia by helenarcoverde on 23/12/2015

Eu zapeio

contente com a noite

desconfiada com o dia

Os corvos

Posted in Poesia, Uncategorized by helenarcoverde on 20/12/2015

 

Os corvos anunciam o fim

pressagiam a dor alheia

que eles nao choram

 

 

 

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OS ANJOS CHORAM?

Posted in Crônica, Uncategorized by helenarcoverde on 18/12/2015

Por Helena Arcoverde

Os anjos não choram. Nós choramos por eles. Mas, quando não somos mais capazes de sentir, eles derramam as gotas da chuva na solidão dos jardins e cemitérios. Eles representam o arrependimento, a reflexão tardia, a tristeza pela rejeição das portas fechadas. Sem mais umbrais, eles se cobrem de lodo para que os homens não vejam suas dores. Decerto ainda pensam em nós e temem que pensemos ser eternos.  Mirando essas estátuas, fiquei pensando qual delas estaria penalizada com o meu país. Mas elas não responderam. Estão horrorizadas com o casuísmo e injustiça que assolou meu país. E eu chorei pelos anjos. Retornei meu olhar a eles. E estes – entre arbustos e galhos secos – pareciam sem respostas. E eu, para quebrar o silêncio, lhes disse que eu desde sempre soube que tudo por aqui é efêmero e que os bens só existem através de meu olhar de admiração. Se não há quem os admire, eles não existem. E que, mais tarde, tudo findaria. Então, pedi a eles que mostrassem aos homens de meu país que – quando se forem- não levarão nada que aqui acumularam. Mas o ranço da traição os acompanhará para sempre. E, então, será tarde demais para os errantes chorarem pelos anjos.