Helena Arcoverde

fuga

Posted in Poesia by helenarcoverde on 26/09/2016

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Imagem e texto by helena arcoverd

na rua, as palavras se atropelavam

queriam formar versos

eu as impedi de saltarem

fui antes ver a flor

molhada de tanto madrugar

cheguei em casa esbaforida

e as palavras se amofinaram

desfizeram as arrumações

uma a uma foram embora

e eu – sem flor nem verso –

me amuei com a traição

unidade

Posted in Poesia by helenarcoverde on 20/09/2016

Por helena arcoverde

nao quero solidão que arrebata

nem amor que se debate

tampouco bandinha dobrando a esquina

quero ficar em casa com minha alma

nas noites em que só chuvisca

temendo que o  alvorecer

importune a quietude dessa unidade

tempo expirado

Posted in Poesia by helenarcoverde on 17/09/2016

by helena arcoverde

eu queria escrever sobre o amor

mas a morte me ronda

me lembra o tempo que tive

e nao amei nadinha

eu queria escrever sobre a vida

mas nao juntei histórias

e, agora, sou obrigada a inventar

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aniversário

Posted in Poesia by helenarcoverde on 17/09/2016

 

by helena arcoverde

quero um aniversário e tanto

que me jogue no meio da rua

a banhar de roupa e tudo

nos dias torrenciais

me provoque gargalhadas

a correr desembestada

cantarolando bobagens

quero apagar somente uma vela

e ordenar ao tempo: se aquiete, seu moço

chega de fazer besteira

Cwb

Posted in Poesia by helenarcoverde on 15/09/2016
sol-albert
texto  helena arcoverde
imagem editada: desenho albert. Foto Helena
A rastreadora de luz acordou
foi caçar pedaços de sol
espalhados pelos bancos
retalhados pelas árvores
foi pular corda nas vilas
foi bendizer as igrejas
levar os santinhos nas casas
para pousar um pouquinho
e recolher moedinhas
a cidade dos parques acordou cinza
foi madrugar nas ruas do Largo
percorrer o acostamento
das calçadas cedidas aos jardins
foi garantir a justiça
pois sem ela só há sede
e pouco sinal de cruz
a catadora de luz foi andar na República
na direção contrária aos ônibus
como se toda via fosse parque
e Boca palanque
avante, cidade da luz
deixa passar o inverno
pra ir buscar outros sóis
nas bandas d’alguma serra
que fique perto do mar
deixando a cidade aqui boazinha
que até dá gosto de andar
vou ponhar o meu sapato
dar uma de joão sem braço
e bater perna `a vontade
lá pelas ruas do centro
até dar calo nos pés