Helena Arcoverde

Posted in Opinião by helenarcoverde on 10/10/2012

Antever o futuro das organizações no país é fácil, basta frequentá-las. “Triste fim de Policarpo Quaresma”.

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A morte de Bin Laden: euforia e ritual

Posted in Opinião by helenarcoverde on 02/05/2011

Um grande boneco feito de pano, com enchimento de palha ou restos de panos rasgados  era alçado ao topo de um poste. Caso faltasse esse aparato, era fixado até mesmo em grades de ferro que ladeavam as casas. Em seguida ele era surrado e, por fim, queimado. As partes do corpo eram espalhadas rua afora e faziam a  alegria da garotada e até de alguns pais. O ritual, conhecido de muitos em época de menino, representa a morte de Judas, ainda tradição em algumas partes do Brasil. A euforia quase mundial face à morte de Bin Laden se não foi inesperada, lembrou e muito o ritual de espancamento do filho de Simão de Queriote. Por outro lado, demonstra o quanto a simbologia está presente na vida das pessoas, em seus medos, paixões. Essa euforia é desconectada de uma análise mais lógica da realidade. A violência e os complexos problemas culturais, religiosos e econômicos não cessarão com essa morte. Possivelmente, há muito Bin Laden não tivesse mais acesso à rede. Até mesmo porque se o tivesse, seu esconderijo teria sido descoberto há mais tempo. Como o próprio nome diz, é uma rede e estas, geralmente, são formados por muitos elos, nós e redirecionamentos. Portanto, essa euforia, embora compreensível, de forma alguma resolverá as complexas questões que permeiam o embate de poder e intransigência entre ocidente e oriente.

Só no papel

Posted in Opinião by helenarcoverde on 18/12/2010

O aluno crítico e questionador ainda não conquistou lugar na maioria das instituições brasileiras. Cansado de “peregrinar” em busca da discussão e de um embate mais fascinante do que geralmente encontra, o aluno investigativo termina vencido pelo cansado, pela ditadura de uma escola onde “o doméstico” se sobrepõe aos interesses discentes. Infelizmente, seu lugar está garantido, na maioria das vezes, apenas no papel.

Quando cabe ao eleitor bater o martelo

Posted in Opinião by helenarcoverde on 26/11/2010

Era exímia em compreender o funcionamento de circuitos elétricos, em cercar as crianças dos outros de cuidados, em amparar atitudes em preceitos éticos e de justiça, em argumentar com logicidade, em projetar com visão antecipatória. Com todas essas competências e habilidades não sabia ler nem escrever. Tinha domínio da oralidade e isso se não bastasse pelo menos atendia suas necessidades e a de suas crianças. Fui uma destas. Ela daria certamente uma ótima legisladora. Precisaria de pessoas que a apoiassem nessa tarefa, mas tinha os atributos mais importantes nessa função: bom senso, capacidade de compreensão da realidade, preocupação social e ética. Se um político é cerceado por não ter domínio dos códigos formais de leitura e escrita, será que não se deveria começar a pensar que, embora com certas limitações, ele é capaz de pensar no bem comum, de compreender tecnicamente as situações, de gerenciar essas dependências com o apoio de outras pessoas? Isso influenciaria em sua autonomia? E os que não possuem nenhum código de ética compatível com a exigência de um bom legislador? Não são incomuns, mas são, geralmente, permeados pelo silêncio. Deveria caber somente ao eleitor a incumbência de auferir, na urna, a ética e a importância do saber no percurso do legislador que o representa. Só ele deveria bater o martelo.

A ciência anda reclusa

Posted in Opinião by helenarcoverde on 25/10/2010

As pesquisas no Brasil estão muito atreladas à academia. Elas precisam ser fomentadas também no mundo organizacional e o mais independente possível dos órgãos reguladores. A própria empresa se encarregaria de seus controles de qualidade. Esse excesso de normas por um lado é compreensível, mas por outro emperra o surgimento de avanços. Não se trata de defender o uso de técnicas experimentais distantes da legislação do país, mas em ressaltar a importância de se fazer essas investigações em projetos gerenciados pela própria empresa. Se precisar alguém de fora, por que não? O diploma não tem convalidação no Brasil? Convida assim mesmo. Nem sempre aumento no percentual de teses e dissertações é indicativo de progresso ou desenvolvimento científico, passa perto, mas não evidencia superavanços e muito menos emancipação científica do país. Não é só isso. A ciência e sua aplicação passam por critérios rigorosos mas estes também podem nortear produções fora da academia, sem a tutela de nenhum órgão regulador. Vai saber quando isso acontecerá, amplamente, aqui. Pelo visto, vai demorar. A pesquisa precisa pular a cerca, desculpe, os muros da academia. Por enquanto, existem só projetos isolados. O casamento entre a academia, a prática e a ciência, sob os auspícios de órgãos reguladores (a própria universidade, a capes, por exemplo), às vezes dá certo. É o caso de alguns hospitais universitários. Mas, esse êxito é raro, como na maioria dos casamentos.